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Antibiótico: use com moderação

Esse tipo de medicamento não é recomendado para combater doenças virais e seu uso indiscriminado está criando superbactérias

 

“É como matar uma mosca com tiro de canhão!”. Assim, Roberta de Salles Guarnieri define a prescrição desnecessária de antibióticos atualmente. “Já fui duas vezes ao pronto-atendimento com minha filha Manuela, de 1 ano e 7 meses, e me passaram antibiótico. Não dei! Meu coração de mãe estava correto. Uma vez era (problema) alérgico e na outra roséola (doença viral).

 

O antibiótico não serviria pra nada”, salienta.

Muitas mães têm observado uma prescrição exagerada desse tipo de medicamento para seus filhos, principalmente durante atendimentos de emergência, quando o médico não conhece o histórico da criança e visa apenas resolver instantaneamente a situação. “Os sintomas ‘somem’ mais rápido e as mães ficam satisfeitas. Mas esse procedimento pode mascarar problemas piores e selecionar bactérias resistentes”, diz Roberta.

 

Exagero

O médico infectologista César Barros reforça essa teoria. “O uso de antibiótico de modo irracional infelizmente é uma realidade hoje, principalmente na pediatria. Isso deve-se a um conjunto de fatores, como a prática da automedicação pela população e o sobreuso por parte de alguns médicos”, destaca.

 

Ele salienta que é comum observar a prescrição desnecessária do remédio por parte de muitos profissionais da saúde. “Neglicenciar uma boa história clínica e exame físico e não diferenciar uma infecção viral de bacteriana frequentemente leva ao erro de prescrever antibióticos além do necessário.”

 

Agerente de marketing Magda Munuera passou a desconfiar da prescrição médica nos pronto-atendimentos. ”Mais de uma vez levei meu filho ao pronto-socorro por conta de algum mal-estar e o médico mandou logo um amoxil, um clavulin, entre outros. Confesso que nas primeiras vezes nem hesitei e comprei. Mas, depois de 3 rodadas de antibiótico em 2 meses, comecei a ter dúvidas sobre a real necessidade. Hoje, se tenho que recorrer ao pronto-socorro e o médico receita um antibiótico, tento logo um encaixe com a pediatra para ‘validar’ a medicação.”

 

“Devemos ser cautelosos e criteriosos na utilização de antibióticos em crianças. Estes medicamentos possuem inúmeros efeitos colaterais e com frequência deixam as bactérias mais resistentes e difíceis de serem vencidas.”
Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)

 

Superbactérias

Os antibióticos são excelentes alternativas para a saúde, disso não há dúvidas. Eles atuam impedindo o crescimento ou levando à morte da bactéria. Agem no foco do problema, não apenas acabando com sintomas, mas destruindo sua causa.

No entanto, quando usados inadequadamente, acabam não só mascarando um problema de saúde, como produzindo as chamadas superbactérias.

 

A médica e professora Dame Sally Davies, principal consultora para assuntos médicos do governo britânico, veio a público em 2012 fazer um alerta: “Os antibióticos estão perdendo a sua eficácia em um ritmo alarmante e irreversível — semelhante ao do aquecimento global.”

 

Segundo ela, o uso desnecessário de antibióticos em casos de infecções leves é o que estaria ajudando a ampliar a resistência de algumas variedades de bactérias, como a E. coli, por exemplo. “As bactérias estão se adaptando e encontrando formas de sobreviver aos efeitos dos antibióticos. Elas estão se tornando resistentes e os tratamentos não fazem mais efeito”, frisou.

 

De acordo com César Barros, qualquer uso de antibiótico tem o potencial de estimular o desenvolvimento de resistência a ele, pois esta é a resposta natural de bactérias frente a uma ameaça. “O uso excessivo desta classe de medicação desempenha um papel importante no surgimento da resistência antimicrobriana”, alerta.

 

Febre x antibióticos

Normalmente, a qualquer sinal de febre, o médico logo prescreve antibiótico. Mas esse sintoma não indica necessariamente que é preciso dar antibiótico. Nove em cada dez casos de febre em crianças abaixo de cinco anos estão relacionados com infecção viral – e vírus não se trata com antibiótico. Dizer que a febre está muito alta, acima de 39ºC, também não justifica a prescrição de antibióticos.

 

É possível encontrar crianças com 39º, 40ºC de febre causada por um simples resfriado e não é raro crianças com 37,5ºC que estão com meningite. Portanto, a intensidade da febre não indica necessariamente a gravidade do problema. Febre indica apenas que o organismo está reagindo a alguma coisa, e isso pode ser um bom sinal.

 

Outro argumento muito usado para essas prescrições é a presença de catarro amarelo-esverdeado. “Mais uma vez esse conceito é errado e antigo. Hoje sabemos que um simples resfriado pode apresentar catarro amarelo-esverdeado e não necessariamente indica a necessidade de prescrição de antibiótico”, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria. O antibiótico e a lavagem nasal com soro fisiológico levam ao mesmo resultado”, diz o documento da SBP.

 

Fonte: Revista NA MOCHILA

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