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Filhos adotivos

Conheça os processos e as histórias de quem já passou por isso

 

Ter um filho é uma decisão que exige planejamento, tempo, dedicação e, principalmente, muito amor. Porém, nem sempre o casal consegue engravidar, por motivos os mais variados. Nessa hora, na maioria das vezes, a adoção entra em cena. Ao considerar essa opção, porém, não é raro surgirem dúvidas, medos e incertezas sobre a escolha.

 

O processo

Para se candidatar e se tornar apto a adotar uma criança, o casal deve procurar o Juizado da Infância e da Juventude de sua cidade. Depois de se informar sobre o processo e apresentar os documentos, vem a etapa mais longa: a da aprovação dos adotantes. Nesse período, que pode durar mais de um ano, são feitas entrevistas com psicólogos, visitas à residência dos candidatos e monta-se um processo, que é entregue ao Juiz. Se forem aprovados, os futuros pais entram em uma lista e devem esperar por uma criança que se encaixe no perfil que eles escolheram. Vale lembrar que a espera pode ser longa.

 

De acordo com a conselheira tutelar Fernanda Guisini Cardoso, a maior procura por bebês que tenham até um ano. Poucos pais se interessam por crianças maiores e, a partir dos nove anos, a adoção é muito rara. Além da idade, existe outro empecilho: a maioria das crianças que estão nos abrigos são morenas ou negras, enquanto grande parte dos pais procura crianças brancas e, em geral, se pareça fisicamente com eles.

 

Regina Bernardi adotou dois filhos, em momentos diferentes. “A gente adota filho porque quer ser mãe, quer ser pai, quer formar família, quer amar e ser amado. Muita gente critica casais que só querem adotar crianças brancas, por exemplo. Eu não critico. E olha que meus dois filhos são mulatos e eu e meu marido somos brancos. Para nós, cor nunca foi um problema, mas pode ser para outras famílias. Então, digo a todos que respeitem seus próprios limites porque este é um passo que não tem volta. Você recebe um filho para toda a vida”, alerta.

 

Período de adaptação

Quem é pai sabe que uma criança muda completamente a rotina da família e é preciso tempo para que as coisas entrem nos eixos. No caso da adoção, isso também acontece e os pais precisam estar preparados para tornar o processo o mais tranqüilo possível para a criança e para eles mesmos. Assim que a família recebe a criança, a guarda ainda não é definitiva.

 

Durante dois anos, uma equipe que atua junto ao Juizado faz visitas regulares para ver como a criança está interagindo com os novos pais, como é a rotina na casa, se ela é bem cuidada e se está feliz. Somente depois desse tempo, se tudo correr bem, é que o Juiz pode ou não deferir a adoção. Regina conta que a adaptação do Felipe, o primeiro filho, foi muito tranquila, porque ele tinha seis meses, mas que o casal precisou se preparar para receber a criança, já que não tinham outras filhos.

 

“No caso da Renata (a segunda filha), a adaptação foi bem mais complexa, porque ela tinha três anos, vinha de um abrigo, onde viveu dois anos e meio. Então, exigiu muito de todos nós. Para ela, era tudo novo, excitante e até assustador. Para nós, houve uma enorme mudança na rotina já estabelecida e tivemos de administrar o ciúme do Felipe. Acho que a adaptação é muito mais difícil quanto mais tardia é a adoção. É fundamental que o casal tenha maturidade e paciência para passar o período inicial. Mas, com o tempo, as coisas se estabilizam, a casa ganha uma nova e deliciosa dinâmica e a família fica ainda mais unida”.

 

Dúvidas, medos e incertezas

A jornalista A. F. M., 37 anos, que pediu para ter seu nome preservado, sempre teve o sonho de ser mãe e, depois de oito anos de casamento, resolveu atender aos seus instintos. “O plano era ter um filho biológico e adotar depois, mas o destino acabou me trazendo meus dois filhos adotivos ao mesmo tempo. A decisão em entrar para o cadastro de adoção aconteceu antes de pensar em gestação porque, na época, eu estava envolvida com um trabalho assistencial e a visita ao orfanato mexeu muito comigo e com meu marido.

 

Então, paramos com os métodos contraceptivos e demos entrada na papelada no fórum ao mesmo tempo. O que viesse primeiro seria a vontade de Deus. E assim foi que vieram meus dois filhos maravilhosos”. Aliás, ela pediu para não ser identificada a pedido da filha.

 

A menina, hoje com sete anos, sabe que foi adotada e lida com isso muito bem, mas não quer que outras pessoas saibam de uma informação que considera segredo de família. Um dos medos mais comuns dos pais, segundo a conselheira tutelar, é que as crianças não se adaptem à família ou desenvolvam problemas de comportamento. A jornalista conta que nunca teve medo de os filhos não se adaptarem ou de enveredarem pela marginalidade de seus pais biológicos.

 

“Sempre tive absoluta certeza de que moldar para o bem o caráter e a personalidade deles seria a nossa contribuição como pais. Meu medo era bem bobo, achava que não saberia o que fazer numa emergência, em caso de vômito ou febre, se conseguiria fazer papinha, se saberia o motivo do choro... Enfim, o medo de toda mãe de primeira viagem.”

 

Quando existe realmente a intenção de adotar, os pais podem conversar com psicólogos e até com grupos de apoio, em cidades maiores, para tirar qualquer dúvida e trocar experiências. Afinal, ter um filho, adotado ou não, é uma das melhores coisas da vida.

 

Fonte: por Tereza Guedes / revista NA MOCHILA

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