Pais carinhosos, filhos amorosos!

É preciso dar para depois receber. Veja como estimular as crianças a serem amáveis e a expressar seus sentimentos

 

Tem coisa mais gostosa do que receber um abraço e um beijo do filho depois de um dia estressante de trabalho? Demonstrações de carinho são deliciosas e, mais do que isso, necessárias para o bom desenvolvimento afetivo das crianças. Abraços, beijos, palavras doces e atenção são plantas que produzem frutos e que podem crescer se você as regar.

 

Isso significa que, para que o seu pequeno seja uma criança afetuosa, você precisar dar o primeiro passo. É através do afeto recebido que o pequeno desenvolve a habilidade nesse sentido.

 

“A criança quando nasce vem como um computador formatado, é como uma tela limpa. Instalamos nossos ensinamentos, que são compostos por valores e criamos a nossa imagem e semelhança”, explica a psicóloga cognitivista Regina Vera Dias.

 

De acordo com ela, se existe carinho dentro de casa, os pequenos vão absorver essa maneira de se expressar e, assim, poderão tornar-se crianças carinhosas também. “A partir da relação que a criança estabelece com os pais será a relação que ela estabelecerá com a sociedade, escola, e até no ambiente corporativo de uma empresa. Portanto, criar filhos carinhosos é uma habilidade a ser desenvolvida pelos pais”, destaca.

 

Bilhetinhos pela casa

A jornalista Mara De Santi, mãe de Bárbara, 8 anos, investe no estímulo e já tem colhido os frutos desse amor. “A Bárbara adora abraçar, beijar, falar palavras carinhosas e é muito sensível. Se eu não estou com a cara muito boa, ela logo vem perguntar o que aconteceu e começa a me agradar. Outra coisa que ela adora fazer é deixar bilhetinhos para mim, dizendo que me ama”, comenta, toda orgulhosa, a mamãe.

 

Mas isso nada mais é do que o reflexo de uma conduta dentro de casa. “Sempre fui muito carinhosa com ela também. Gosto de pegar no colo até hoje, fazer cafuné, abraçar e beijar. Acredito que a combinação de estímulo externo – pais, familiares e amigos –  com a natureza da criança forme uma personalidade afetuosa”, salienta Mara.

 

Quando começar?

O toque nasce junto com o bebê. Ele aprende a retribuir aquilo que lhe é prazeroso. Ao receber o afeto dos pais, o pequeno passa a dar o mesmo em troca, seja ele um olhar, um sorriso ou um abraço.

 

Conforme ele vai crescendo, percebe o amor que o cerca. As palavras ganham força nessa troca mágica de sensações. Conversas, acordos, histórias antes de dormir, isso ajuda a elevar a autoestima da criança.

 

Pode dar bronca?

Claro! Assim como precisa de carinho, a criança sente necessidade de limites. “O exagero é o adversário do amor e o facilitador do egoísmo. Quando protejo meu filho do mundo, sua autoestima aumenta, mas sem valores humanos e sociais. É nesse momento que a criação faz diferença.Castigos, conversas que motivem acordo e plano de ação são sempre muito bem-vindos para estabelecer a afetuosidade necessária nas relações interpessoais e valores sustentáveis”, ensina Dra. Regina.

 

Com Mara, isso tem funcionado bem. Tanto que as lições dadas à filha terminam quase sempre em carinhosa reconciliação. “Claro que existem as broncas, os momentos em que é preciso falar um pouco mais alto (e que ela não gosta nada, obviamente!). Mesmo depois da bronca, conversamos bastante para chegar a um ‘combinado’ e evitarmos discussões futuras. E, claro, trocamos muitos abraços e beijocas.”

 

Abra o coração!

Para muitas pessoas, externar os sentimentos não é algo tão fácil. O cotidiano agitado, as preocupações com trabalho, dinheiro, a falta de tempo para curtir os filhos, tudo isso pode atrapalhar esse contato mais intimista com os pequenos.

 

Outra causa dessa ausência de afeto pode ter origem bem mais intrínseca. “Há pessoas que receberam pouco carinho de seus pais e isso atrapalha bastante no estabelecimento do afeto na relação com seus filhos”, explica Dra. Regina.

 

Talvez isso não seja um marco da nossa geração, porém, se voltarmos um pouco no tempo, vamos entender que a troca de carinho não era algo comum na época dos nossos avós, por exemplo. Com a casa cheia de filhos, sem as facilidades tecnológicas que conhecemos, com pouco acesso à educação, as famílias tinham uma aura mais rígida dentro de casa. Os pais mandavam, os filhos obedeciam e não havia tanto estímulo de afeto entre as pessoas.

 

Por isso, Regina aconselha: “sugiro que todos façam uma reflexão sobre a própria infância... faça um balanço, pense naquilo que deu certo, perceba o que você recebeu do seu pai e da sua mãe... O que faltou? Agora, pense: ‘eles fizeram o seu melhor... o passado, eu não mudo, mas eu posso fazer um novo recomeço a partir dessa consciência nova e da criação do meu filho’. Essa é a oportunidade!”.

 

Formando pessoas seguras

A troca de carinho não é só uma maneira de deixar as relações dentro de casa mais gostosas. Ela tem papel fundamental no desenvolvimento psíquico dos pequeninos. “Crianças carinhosas não são cruéis com seus colegas, participam melhor dos grupos e tendem a ser menos egoístas. Sentem-se amadas, por isso interagem melhor”, explica Dra. Regina.

 

A mãe de Bárbara acredita que a formação afetuosa ajudou a amadurecer a filha. “Ela é uma menina muito madura e que tem uma compreensão de mundo e de relacionamentos bem avançada. Tanto que se incomoda com as atitudes mais brutas de alguns colegas, quando elas acontecem. Pensa bem antes de falar e expressar opiniões, pois não gosta de chatear as pessoas. E é sempre muito carinhosa com todos”, afirma Mara.

 

  

Fonte: por Rose Araujo / Revista NA MOCHILA

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