Vacinas que salvam vidas

Imunização pode evitar as perigosas (e letais) doenças pneumocócicas

 

A batalha contra as doenças pneumocócicas em todo o mundo é árdua e, no Brasil, essa guerra acaba de ganhar três novas armas muito potentes: as vacinas conjugadas 10-Valente e 13-Valente e a vacina antimenigocócica C. A primeira e a terceira estão disponíveis na rede pública de saúde e já fazem parte do calendário nacional de imunizações, já a segunda é encontrada apenas em clínicas particulares.

 

Causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae (pneumococo), que são transmitidas principalmente por tosse, espirro e objetos contaminados (água, toalhas, roupas etc.), as doenças pneumocócicas são algumas das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. Seus alvos prediletos são o sistema respiratório e o cérebro, onde causam infecções como meningites, pneumonia bacterêmica e sepse –  altamente letais. Também podem provocar otite média, sinusite, bronquite e pneumonia não bacterêmica, que são menos graves, mas causam transtornos às crianças e aos pais e têm grande impacto econômico e social.

 

“A vacinação é a principal intervenção de saúde pública efetivamente capaz de reduzir a incidência de infecções pneumocócicas, que nas suas apresentações mais graves (pneumonia e meningite) são responsáveis por ao menos 1 milhão de mortes em crianças no mundo a cada ano”, afirma o pneumologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, Gustavo Faibischew Prado.

 

Primeiro mundo

A vacina 10-Valente começou a ser introduzida de forma gradual em todo o País a partir de fevereiro de 2010, de acordo com a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. Atualmente, faz parte do Programa Nacional de Imunização (PNI), o que representa um grande avanço do Brasil no combate às doenças pneumocócicas.

 

“Com a introdução da vacina pneumocócica 10-valente e da vacina meningocócica C na rotina dos serviços de saúde, gratuitamente, o Programa Nacional de Imunizações do Brasil se consolida como um dos melhores do mundo”, ressalta Reinaldo Menezes Martins, consultor científico da Fundação Oswaldo Cruz, órgão responsável pela produção da vacina.

 

Até o início de 2010, a única maneira de garantir a imunização contra essas doenças era a aplicação da vacina 7-Valente, disponível apenas na rede particular, a preços que variavam R$ 200,00 a 250,00 a dose.

 

Falta de informação

Nem tanto pelo dinheiro (afinal, qual pai não disporia de 200 reais para preservar a saúde de um filho?), mas mais pela falta de informação que a professora Maria Lúcia Azevedo passou um dos piores momentos de sua vida. Em 2008, sua filha Maria Fernanda, então com 2 anos e 10 meses, foi infectada e adquiriu uma pneumonia.

 

Foram 24 dias de muito sofrimento e luta contra a doença no hospital. “Ela teve um derrame pleural (líquido no pulmão) e precisou colocar dreno e cateter. Foram retirados 350 ml de líquido do pulmãozinho dela”, lembra a mãe.

 

Mas o tratamento não parou por aí. “A recuperação é longa. Os cuidados são extremos, pois se uma pneumonia não for bem curada, ela poderá voltar novamente ou a criança adquirir outra. A recuperação completa durou quase um ano após a saída dela do hospital.”

 

Maria Fernanda não havia tomado a vacina 7-valente (Prevenar) até contrair a pneumonia, apesar das recomendações do pediatra. “Eu acabei negligenciando, pois não achei tão necessário na época. Eu nunca havia tomado essa vacina, nem ninguém na minha família, então, acabei não aplicando. Acho que se ela tivesse sido imunizada antes, poderia até ter tido a doença, mas não com a gravidade que foi”, salienta Maria Lúcia.

 

Saúde sem custos

A pequena Maria Fernanda superou a pneumonia sem sofrer sequelas, mas nem todas as crianças têm a mesma sorte, por isso a importância da vacinação. “As consequências mais graves podem advir de sequelas neurológicas de meningites e das manifestações mais agressivas das pneumonias, ambas podendo incapacitar ou levar ao óbito”, afirma Prado.

 

Além de gratuita, a vacina 10-Valente possui três sorotipos a mais que a antecessora, o que aumenta a sua capacidade de imunização. Os sorotipos incluídos na composição da vacina representaram 69% dos mais frequentes identificados nos últimos nove anos, segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde.

 

“Os 10 tipos mais frequentes de pneumococos estão contidos na vacina, sob a forma de antígenos, isto é, substâncias com capacidade de causar imunidade através da produção de anticorpos. É chamada de vacina pneumocócica 10-valente por causa dos 10 antígenos. É como se fossem 10 vacinas numa só”, enfatiza Martins.

 

Aliada à 10-Valente, é fundamental também que a criança tome a vacina antimeningocócica C, que previne meningites e infecções causadas pela bactéria meningococo C. “Essas vacinas são complementares, por isso ambas devem ser aplicadas. O meningococo C é a causa mais importante de meningite no Brasil e em muitos outros países”, alerta o consultor científico Reinaldo Mendes.

 

Atitudes preventivas

É indiscutível que a vacinação é o meio mais eficaz de prevenir as doenças pneumocócicas. No entanto, algumas atitudes adotadas no dia a dia podem reduzir ainda mais os riscos. “Evitar grandes aglomerações humanas na vigência de um surto de infecção, manter cuidados gerais de higiene como lavar as mãos e cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar são medidas que ajudam. Além, claro, de seguir o calendário vacinal estipulado pela Organização Mundial de Saúde e Ministério da Saúde”, salienta o pneumologista do Hospital das Clínicas de São Paulo.

 

Quando tomar?

A imunização com a vacina 10-valente deve ocorrer aos 2, 4 e 6 meses de idade. Aos 2 anos, a criança irá receber o reforço dessa imunização. Caso seja iniciada no segundo semestre de vida, ela deverá ser aplicada em duas doses, com intervalo de dois meses entre elas, mais o reforço após os 12 meses. Já a antipneumocócica C deve ser aplicada aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses.

 

Mais potente

Em agosto chegou ao Brasil a vacina 13-Valente. Fabricada pela empresa farmacêutica Pfizer, é a mais potente no combate às doenças pneumocócicas, por proteger contra 13 sorotipos. Disponível na rede privada, consiste na aplicação de 4 doses (aos 2, 4, 6 e entre 12 e 15 meses de idade).

 

Contraindicações

As vacinas pneumocócicas são muito seguras, de acordo com Martins, mas ainda assim podem causar reações locais e febre, mas de natureza benigna e transitória. “Não há contraindicações às vacinas pneumocócicas, mas não devem ser aplicadas em pessoas que estejam com infecções agudas ou com alguma doença grave. Se alguém tiver reação alérgica grave à dose anterior da vacina, ela não deve ser repetida”, orienta.

 

Estatísticas

- O pneumococo é a segunda maior causa de meningites bacterianas no Brasil. No período de 2000 a 2008, a média anual de meningite pneumocócica foi de 1.218 casos por ano, o que representa aproximadamente 11% dos casos de meningite bacteriana registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).

 

- No grupo de crianças menores de dois anos, a incidência média anual de meningite por pneumococo foi de quase 6 casos para cada 100 mil habitantes, sendo que em menores de um ano a incidência média anual foi de aproximadamente 10 casos a cada 100 mil habitantes, apresentando letalidade média para estas duas faixas etárias de 33% e 34%, respectivamente.

 

- De acordo com o Ministério da Saúde, essa bactéria (pneumococo) causa cerca de 20 mil hospitalizações por pneumonia e mais de 3 milhões de casos de otite média aguda por ano no Brasil.

 

- Com a aplicação da vacina 10-Valente existe a expectativa de reduzir aproximadamente 10 mil mortes por ano em todas as faixas etárias (lembrando que, com o uso da imunização nas crianças, aumenta a imunidade na população em geral).

 

 

Fonte: Rafael Tadashi e Rose Araújo / Revista NA MOCHILA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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