© por Instituto Noa. Todos os direitos reservados.

Acesse, curta e compartilhe

Instituto Noa

Whats: (15)  99129-4846

contato@institutonoa.org.br

Al. Santos, 1165 - São Paulo - SP

Certificado Selo Social 2015
  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black YouTube Icon
  • Instagram

Obesidade infantil: um problema da atualidade

O número de crianças obesas pode chegar a 75 milhões no mundo em 2025.

 

Abiézer tem nove anos. Mas ao contrário de muitas crianças de sua idade, no seu café da manhã não tem leite com chocolate. “Troquei por café com leite e sempre incentivo a comer frutas”, diz sua mãe, a cabelereira Eula Paulo de Jesus Vieira Ribeiro, 31. A mudança no cardápio foi feita depois que exames mostraram que o menino apresentava sinais de obesidade, um problema que atinge mais de 30% das crianças nos dias de hoje.

 

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dados de 2010, uma em cada três crianças com idade entre cinco e nove anos está com o peso acima do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde. Outro relatório da OMS diz que o número de crianças com sobrepeso e obesidade no mundo pode chegar a 75 milhões em 2025, caso nada seja feito em relação à obesidade infantil.

 

 

A obesidade pode causar sérios problemas nas crianças, desde colesterol e triglicérides elevados, pressão alta, depressão e até uma esteatose hepática, que é uma gordura no fígado. Em longo prazo, outros problemas, como cardiovasculares, na coluna e diabetes Mellitus, do tipo 2, também serão observados.

 

A nutricionista Nicole Pontes, especialista em nutrição clínica e estética, diz que tratar a obesidade infantil é um processo que precisa de metas e incentivos, além da colaboração dos pais, da família e da escola. A criança também precisa ser contextualizada no ambiente para entender o porquê do tratamento. “Não adianta falar que ela vai ter pressão alta se ela não sabe o que é isso. É preciso contar, por exemplo, que o amiguinho vai correr bem mais rápido atrás da bola e que os gols serão todos dele”, informa.

 

Em casos de obesidade mórbida infantil o tratamento deve ir além da dieta e das atividades físicas. Muitas vezes a medicação é indicada, seja para inibir o apetite, inibir a absorção, reduzir a ansiedade ou até mesmo um antidepressivo. “A quantidade de crianças ansiosas e estressadas já está muito grande. Estão tão sobrecarregadas, com a agenda cheia, que parecem adultos; então depende do médico que vai avaliar a criança. Em alguns casos a medicação já é fundamental”, afirma Nicole.

 

Para a nutricionista, a criança que não se cuida hoje, vai ser obrigada a se cuidar um dia: “eu sempre falo que quem não perde tempo cuidando da prevenção, vai perder tempo cuidando da doença, então aquela criança que já é obesa, dificilmente vai ser um adolescente saudável”. Perceber que a alimentação e os hábitos do dia a dia são o prolongamento da vida faz o tratamento dar certo.

 

Os pais necessitam entender que a responsabilidade de emagrecer não é só da criança. É importante se colocar no lugar dela para deixar o tratamento mais fácil e leve.

 

 

Boa alimentação e exercícios físicos

 

A rotina criada atualmente impossibilita uma alimentação adequada, onde as crianças passam mais tempo na frente da TV e do computador. “Outra situação é que muitos pais têm receio do tempo que ficaram longe da criança e, para agradá-la, saem para jantar fora ou vão a um fast-food, por exemplo”, complementa a nutricionista.

 

Nicole também salienta que o café da manhã de algumas crianças é uma coxinha com refrigerante, ou então, a mãe substitui o almoço do filho por um pacote de bolacha e um copo de leite, já que ele não quer comer.

 

Entretanto, uma alimentação adequada é importante. As regras básicas são comer a cada três horas, excluir temperos prontos, sempre acrescentar verduras e legumes na alimentação, comer pelo menos três frutas por dia, trocar açúcar por adoçante, evitar frituras, alimentos gordurosos, embutidos (presunto, por exemplo) e processados (hambúrguer, salsicha).

 

As refeições tradicionais devem ser resgatadas, como arroz, feijão, carne, frango, peixe, verduras e legumes. Guloseimas, pizzas e lanches não precisam ser extintos do cardápio, mas podem ser deixados para o fim de semana.

 

A prática de atividades físicas é outra questão que deve ser abordada pelos pais, porque traz um incentivo maior para as crianças e ajuda no metabolismo do corpo, transformando gordura em massa magra. Entretanto, é um ortopedista que deve avaliar qual a atividade física mais indicada para cada caso, já que até os 14 anos é a época de formação da estrutura óssea. Basicamente, os exercícios recomendados são natação, caminhada, andar de bicicleta e patins. A duração deve ser, no mínimo, quatro vezes na semana e que seja uma atividade contínua de, pelo menos, meia hora.

 

Descobrindo a obesidade

 

A obesidade é uma doença crônica que traz prejuízos à saúde. E para saber se uma criança está acima do peso, é levado em conta sua idade e sexo. Alguns métodos utilizados para diagnosticar a obesidade são o Índice de Massa Muscular (IMC), com valores diferentes para crianças e adultos, a circunferência abdominal e um exame que mede a taxa metabólica e a taxa de gordura corporal, chamado de bioimpedanciometria

 

 

Jennifer Lucchesi é estudante do 5º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação do jornalista Fernando Cesarotti, voluntário no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

Please reload