Parto normal oferece benefícios ao bebê


Além de contribuir para a saúde, fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho.

Especialistas afirmam que o parto normal evita que a criança desenvolva problemas respiratórios, entre outras doenças.

Dar à luz a uma criança, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é um ato natural. Se tudo estiver bem com a mãe e o filho, o parto, que é um processo fisiológico, requer pouca intervenção médica.

Segundo a pediatra e neonatologista Andrea Gouvea, o parto normal oferece inúmeros benefícios para a saúde do bebê e aumenta o vínculo entre a mãe e a criança. “O parto vaginal contribui para que a criança não desenvolva doenças respiratórias no futuro. Além disso, auxilia também na diminuição de alguns problemas como anemia e falta de atenção”, diz.

Para o médico obstetra Braulio Zorzella, o processo do parto normal é a melhor opção, pois o bebê ganha qualidade de vida não só nos primeiros meses, mas também ao longo de toda sua vida.

A escolha pelo parto normal, segundo Zorzella, não traz nenhum malefício para a mãe ou para o bebê. Muito pelo contrário: só contribui para o bem-estar de ambos e para o melhor desenvolvimento do QI da criança. “A escolha pela cesárea com hora marcada não traz benefício algum para o bebê, pois ele pode nascer sem que os órgãos estejam totalmente maduros e isso atrapalha no desenvolvimento neuromuscular, diminui a capacidade motora e o desenvolvimento pulmonar, além de dificultar a respiração e o crescimento gastrointestinal”, afirmou.

Por causa de um parto cesárea, o filho mais velho de Letícia Sanches, 36 anos, desenvolveu a Síndrome de Aspenger, que é uma vertente do autismo. No oitavo mês de gestação, ela sentiu uma cólica forte e foi para o hospital. Lá, descobriu que não havia entrado em trabalho de parto e não tinha dilatação, mas mesmo assim foi submetida a uma cesárea.

“Por não ter nascido no momento correto, ele teve dificuldade de respirar e não mamava. Além disso, só andou com um ano e sete meses e começou a falar com três anos”, lembra Letícia.

Quando o menino estava com dois anos, a mãe descobriu que ele tinha diversas dificuldades motoras. A pediatra constatou que seus problemas de saúde tinham sido ocasionados por uma paralisia cerebral leve no momento do parto. “O maior erro não foi o parto cesárea, mas foi fazê-lo em um período em que o bebê não estava pronto para nascer”, diz Letícia.

Sete anos depois, ela engravidou novamente e optou pelo parto normal. Seu bebê nasceu saudável. Hoje mãe de dois meninos, Letícia está grávida novamente. Desta vez, optou pelo parto humanizado, em que não há intervenções médicas como anestesia e cortes. “O maior erro de uma gestante é não procurar por todas as informações possíveis a respeito de como são realizados os três tipos de parto (cesárea, normal e humanizado)”, conta Letícia.

Já Renata Penna, 36 anos, impressionou até mesmo os médicos ao dar à luz gêmeas de parto normal. Ela disse que queria o parto mais natural possível, mas essa escolha fez com que vários obstetras abandonassem o caso. “Os médicos diziam que poderíamos correr risco de vida caso eu levasse adiante a ideia de realizar parto normal. No final tudo deu certo. Minhas filhas nasceram saudáveis”, relembra.

Na segunda gestação, ela decidiu fazer um parto humanizado e sua terceira filha também veio de maneira tranquila e saudável. Com as duas experiências, Renata decidiu abraçar a ideia do parto normal humanizado e se tornou uma participante ativa em movimentos e projetos que lutam pela causa. “O parto normal oferece diversos benefícios para o bebê e minhas filhas são exemplos disso”, comentou Renata.

O obstetra Zorzella diz que não há muita diferença entre o parto normal e o humanizado, pois na verdade os dois são realizados de forma natural, do ponto de vista de que é o bebê que avisa a hora em que está pronto para vir ao mundo. A principal divergência entre um e outro é o fato de que no parto normal pode haver anestesia e cortes, diferentemente do humanizado, em que o nascimento conta somente com a força do próprio corpo da mulher. Além disso, o parto humanizado geralmente é feito no lar da gestante e conta com o apoio de uma doula (acompanhante especializada) e de algum familiar.

Conforme dados divulgados pela OMS, houve um grande aumento de cesáreas em todo o mundo nos últimos 20 anos. No topo do ranking dos países que mais realizam esse tipo de procedimento está o Brasil, que registrou 55% dos bebês nascidos de cesariana em 2014 – isso somente no SUS (Sistema Único de Saúde). Quando se fala em atendimento na rede particular, as estatísticas são ainda maiores: 84% de cesáreas. A recomendação da OMS fica entre 10% e 15% de cesáreas.

Quando a cirurgia é necessária

Mas, em muitos casos, a cesárea pode salvar a vida de um bebê. O obstetra Edson Alcoléa explica que esse procedimento é essencial quando falta oxigênio dentro da barriga da mãe ou quando o bebê é grande demais para passar pelo canal vaginal. Nesses casos, se insistir no parto normal, mãe e filho podem morrer.

“Os problemas na saúde do bebê podem acontecer tanto no parto cesárea quanto no normal, pois tudo vai depender do estado de saúde da mãe e da criança. Se o nascimento acontecer sem intercorrências, os benefícios para a saúde do recém-nascido são inúmeros”, contou Alcoléa.

Se não fosse através de um parto cesárea, Michelle Oliveira, 37 anos, não poderia contar sua experiência sobre o nascimento do filho. Durante a gestação, ela sofreu com problemas de pressão alta. Aos nove meses, foi internada às pressas por seu grave estado de saúde. O menino estava sem oxigenação e havia defecado dentro da barriga, situação gravíssima para mãe e filho.

“Não havia outra opção a não ser o parto cesárea, pois eu e meu bebê corríamos risco. No final tudo deu certo e ele nasceu saudável”, conta.

ONG Bem Gerar, defensores do parto normal

A ONG Bem Gerar, com sede em Sorocaba (SP), oferece apoio a gestantes com informações e prestações de serviço sobre todo o processo da gravidez.

“É fato que o parto normal oferece diversos benefícios não só para a mãe, mas principalmente ao bebê. E é esse viés que mostramos a todos os frequentadores da ONG: respeitar a vontade do bebê de nascer e curtir cada contração, por mais dolorida que seja. Afinal, é um dos momentos mais felizes e emocionantes de uma mulher”, contou Carla Arruda, coordenadora da instituição.

Opção para olho:

“O maior erro não foi o parto cesárea, mas sim por ter sido feito em um período em que o bebê não estava pronto para nascer” – Letícia Sanches

Alguns benefícios do parto normal para o bebê:

  • Aumenta a imunidade

  • Aumenta o vínculo afetivo entre mãe e filho

  • Evita problemas respiratórios

  • Evita anemia

  • Evita a falta de atenção

  • Melhora o desenvolvimento do QI

  • Contribui para o desenvolvimento neuromuscular e respiratório

  • Aumenta a capacidade motora

  • Auxilia no crescimento gastrointestinal

* Larissa Costa é estudante do 7º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação da jornalista Thaís da Silveira, voluntária no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

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