Deixe o tabu de lado e converse sobre sexo com seu filho

 

Falta de conhecimento contribui para imaturidade do adolescente e o expõe a riscos

 

O tabu afasta as pessoas da conversa sobre sexo. Se até mesmo entre um casal o assunto muitas vezes é pouco falado, devido a problemas como falta de liberdade, medo e preconceito, abordar o tema com os filhos também se torna complicado. Esse é o caso da funcionária pública Andrea Drummond, 42, que acha constrangedor falar sobre sexo com sua filha mais nova, de 12 anos.

 

 

Por vir de uma geração mais conservadora, em que os pais não conversavam com os jovens sobre sexualidade, Andrea conta que não acha natural esse tipo de conversa. Ela complementa que se casou aos 20 anos e jamais pensou em ter que falar abertamente sobre isso com as filhas. Com as duas mais velhas, por exemplo, ela não abordou tanto o assunto como está fazendo com a caçula agora.

 

 

“Não conversei bastante com as minhas duas primeiras filhas, principalmente quando tinham 12 anos, a idade da mais nova, porque nunca tive esse tipo de conversa com a minha mãe e não acho muito natural”, lembra.

 

Segundo o sexólogo e psicólogo Genésio Cornélio de Paula, são poucos os pais que cuidam da sexualidade dos filhos. Entretanto, os pais deveriam ser vistos como uma fonte segura e confiável de consulta.

 

 

A indicação é que comecem a conversar sobre sexualidade desde os cinco ou seis anos da criança, para que, quando ela chegar à fase da adolescência, já possa usufruir de todas as orientações recebidas. “Se o filho não obtém as informações em casa, ele vai aprender na rua de uma maneira distorcida e, desta forma, os pais vão precisar de um esforço maior para conversar sobre relação sexual com o adolescente. E muitas vezes o filho não vai mais querer ouvir porque ele já está praticando”.

 

 

A adolescência é o período em que a pessoa está organizando a vida para entrar na fase adulta e os hormônios estão muito elevados. Com isso, a falta de conhecimento expõe a riscos, como gravidez não desejada e doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, o adolescente não vai desenvolver o compromisso de se preparar primeiro antes de ter relações sexuais da forma correta. “Então depois surgem as consequências e entram em desespero”, diz.

 

 

O psicólogo ainda ressalta que a sexualidade é uma necessidade física, mas precisa ser ensinado como administrar para que o adolescente não acabe desenvolvendo uma compulsão pelo ato sexual só porque dá prazer. Também critica que os pais acabam estimulando muito os meninos, com brincadeiras sobre a sexualidade da criança, enquanto com as meninas não conversam sobre o assunto e acabam prendendo-as. “No futuro, precisam entender que a sexualidade tem que ser usada com responsabilidade”, afirma.

 

 

A ginecologista Carolina Duarte Silveira complementa que a sexualidade faz parte da natureza humana desde o nascimento e, se bem conduzida com sabedoria, só traz benefícios. Entretanto, hoje em dia, os adolescentes estão começando a vida sexual cada vez mais precocemente, e na maioria das vezes, sem maturidade. Por isso é importante que os pais assumam o papel de orientadores e melhores amigos dos filhos.

 

 

Para ela, a melhor maneira de abordar o assunto sobre sexo é com sinceridade e de forma direta, respeitando a idade e dando liberdade para que a criança ou adolescente possa perguntar o que quiser, sem sofrer repreensão. “É importante também esperar o tempo da criança, a hora que ela quiser saber alguma coisa, e tendo um relacionamento de confiança com os pais, ela perguntará. Meu conselho é que os pais deixem sempre o diálogo aberto”.

 

 

Roseli de Andrade Rodrigues Lourenço, 39, dona de casa, tem quatro filhas adolescentes e diz que sempre conversou com elas sobre sexo. Em alguns momentos, a situação parecia difícil por causa dos questionamentos das crianças. “Eu acabava ficando doida e tinha que saber responder de um modo fácil e sem muita besteira”.

 

 

Apesar de orientar as adolescentes, Roseli comenta que acredita que suas filhas não tem a confiança de chegar e perguntar para ela as dúvidas, por vergonha de como ela vai reagir. No entanto, ela prefere que as coisas sejam esclarecidas dentro de casa. “Não estamos no tempo de termos vergonha de falar sobre sexo com nossos filhos, porque senão eles vão procurar fora de casa e a consequência pode ser desastrosa”, conclui.

 

 

 

 

Jennifer Lucchesi é estudante do 5º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação do jornalista Fernando Cesarotti, voluntário no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

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