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Drogas na adolescência: um problema que afeta toda a família

 

Especialistas aconselham que o diálogo sempre é a melhor opção para tratar o caso dentro do ambiente familiar

 

Como agir quando um adolescente da família está usando drogas? Como esse comportamento influencia no ambiente familiar? Essas questões geralmente surgem na cabeça de pais e mães que sofrem desse problema dentro de casa e muitas vezes não sabem como resolver a questão de maneira eficaz.

 

Segundo o psicólogo Ricardo Ribeiro, os motivos mais frequentes que levam um adolescente a fazer o uso de entorpecentes são indignação, revolta, perturbação, agressividade, sentimentos reprimidos, desejo de libertação, brigas familiares, decepções, falta de objetivos na vida, entre outros.

 

“Essas questões somadas potencializam a busca por drogas, pois geralmente ele procura uma sensação de alívio para a resolução desses problemas”, diz o psicólogo. Ele explica ainda que é necessário tratar o assunto com maturidade e tentar compreender as razões que o levaram a esse caminho.

 

Eugênia Ramalho, 49, é mãe de dois jovens usuários de drogas. Ela descobriu o vício dos filhos há dois anos e, desde a descoberta, o ambiente familiar nunca mais foi o mesmo.

Após o fim do casamento de Eugênia com o pai dos meninos, eles se tornaram muito agressivos e se revoltaram com a situação. Desde então, começaram a passar mais tempo na rua e, quando voltavam para a casa, estavam bêbados ou drogados.

 

“Eu os flagrei muitas vezes usando drogas dentro de casa. Joguei muitas vezes diversos pacotes fora. Procurei ajuda com psicólogos, na Prefeitura, em ONGs, mas nada resolvia. Muito pelo contrário: eles perdiam cada vez mais o respeito por mim”, conta.

 

Com o clima difícil dentro de casa, os meninos decidiram morar na rua, atitude que deixou Eugênia ainda mais desesperada, pois perdeu totalmente o contato com eles. Ela não consegue pensar em outro motivo que levou seus filhos a serem usuários de drogas a não ser as brigas familiares que sempre existiram.

 

“Criei meus filhos com amor e carinho. Dói ver um filho drogado, algemado, perdido e sem perspectiva de vida.” Eugênia acredita que a única solução agora é a internação. “Minha vida perdeu completamente o sentido, mas não perco as esperanças”, diz emocionada.

 

Para Ribeiro, o correto é que a família procure a ajuda de um psicólogo, que pode ajudar não só o usuário de drogas, mas também todos que moram com ele. É necessário que todo o núcleo familiar tenha consciência do problema, sem fazer qualquer tipo de julgamento, pois o que o viciado precisa nesse momento é de ajuda e compreensão. Caso contrário, a situação dentro de casa pode se tornar cada vez pior.

 

Ramon Veras, 24, começou a usar drogas com 13 anos. Ele conta que os motivos foram traumas de infância e problemas familiares. O uso exagerado de álcool e drogas fez com que ele se tornasse muito agressivo e roubasse coisas de dentro e fora de casa.

 

O jovem conta que ele e o pai discutiam muito e por diversas vezes houve até mesmo agressão física. Essas atitudes só fizeram com que ele ficasse ainda mais revoltado e usasse cada vez mais drogas. “Da bebida fui para a maconha, dela para a cocaína e, quando dei por mim, estava no fundo do poço, com a família destruída e a minha adolescência perdida”, lembra Veras.

 

Cansados de viver nessa situação, os pais de Ramon decidiram agir de maneira diferente. Com conselhos, carinho e com o apoio da igreja que frequentavam, o menino começou a melhorar. O consumo de bebida e de drogas aos poucos foi diminuindo.

 

“Estou há cinco anos sem fazer uso de entorpecentes. Devo isso a Deus, aos meus pais e à minha noiva, que nunca desistiram de mim. Se não fosse por eles, não sei se estaria vivo hoje”, conta.

 

Segundo o psicólogo, a receita para uma boa convivência em uma família que vive com um usuário de drogas é ter diálogo, amor, respeito, compreensão e paciência.

 

Tratamento

 

Tânia Castanheira, especialista em psiquiatria, trabalha na Fundação Casa, em São Paulo, e convive diariamente com adolescentes usuários de drogas. Para ela, o que leva um jovem a buscar entorpecentes são traumas de infância e problemas emocionais.

 

“Carinho e atenção devem ser regras, pois se o jovem não encontra isso na família ele vai procurar na rua”, afirma Tânia.

 

A especialista ressalta ainda que a resolução do problema deve ser iniciada na família, ou seja, todos devem tomar consciência da situação e fazer com que o ambiente familiar se torne o mais agradável possível. Depois, é necessário procurar ajuda de um psicólogo ou de uma clínica de reabilitação.

 

Mateus Bernardi, coordenador do Centro Terapêutico de Araçoiaba da Serra, diz que o objetivo da clínica é ajudar dependentes químicos a deixar o vício. O intuito é recuperar a saúde física, mental, emocional e social dos pacientes. Com esse objetivo, são realizadas atividades terapêuticas, atendimento psicológico, encontros religiosos e atividades esportivas.

 

“A recuperação e o fim do vício só dependem do paciente. Ele fez a escolha de usar drogas e ele fará a opção por uma vida saudável ou não. Nós fazemos a nossa parte, mas tudo depende de força de vontade, paciência e persistência”, conclui Mateus.

 

Atendimento gratuito

Em Sorocaba, há o Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas (CAPS AD) que dá assistência para dependentes químicos e seus familiares de forma gratuita. Funciona 24 horas por dia.

 

A unidade está localizada na Rua Professor Júlio Pinto Ferreira, nº 1.422, na Vila Angélica. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (15) 3232-4011.

 

 

Larissa Costa é estudante do 7º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação da jornalista Thaís da Silveira, voluntária no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

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