Um doce vilão

 

Sendo considerado prejudicial à saúde por profissionais da saúde e pela Organização Mundial da Saúde, o açúcar é um mal que deve ser evitado principalmente para crianças menores de dois anos

 

Já há algum tempo o açúcar vem sendo apontado por médicos e estudiosos um verdadeiro vilão da alimentação, sendo indicado como o responsável não só pelas cáries nos dentes, mas também de diversos outros problemas de saúde como a obesidade.

 

Sabendo disso, é possível encontrar dentre as recomendações da cartilha “Dez passos para a alimentação saudável - Guia alimentar para crianças menores de dois anos”, do Ministério da Saúde, um item que ensina mães e profissionais da saúde como proceder com relação à ingestão do açúcar por crianças.

 

Segundo a cartilha, as crianças costumam nascer com uma preferência para o sabor doce, por isso, adicionar o açúcar em qualquer alimento destinado a elas é desnecessário e deve ser evitado. Além disso, explica-se também que o consumo de alimentos considerados não nutritivos, como o açúcar, está associado à anemia, excesso de peso e alergias alimentares.

 

A Nutróloga Patricia Savoi afirma que até os dois anos de idade as crianças estão criando seus hábitos alimentares que na maioria dos casos irão acompanhá-los pelo resto de sua vida, por isso, deve haver uma preocupação em ensiná-los sobre uma alimentação correta. “As crianças nesta faixa etária já ingerem açúcar. Ele encontra-se naturalmente presente nos alimentos como frutas, raízes, cereais e verduras, além do leite, por exemplo, que fazem parte de uma alimentação saudável, não há a necessidade de uma quantidade extra”, explica.

 

Além disso, de acordo com a nutróloga, a ingestão do açúcar em excesso é um perigo não somente para os dentes. “O consumo exagerado de açúcar na infância pode favorecer o ganho de peso excessivo e há fortes evidências de que muito açúcar na dieta aumenta o risco de doenças cardiovasculares, diabetes, gota, fígado gorduroso e alguns tipos de câncer”, conta.

 

Patricia comenta também que há ainda mais fatores a serem levadas em conta sobre o assunto. “Outra preocupação é o aumento da hiperatividade com redução na capacidade de concentração e irritabilidade. O alto consumo de doces, balas e refrigerantes pode aumentar a concentração de insulina e adrenalina no sangue, que em excesso provocam ansiedade, excitação e dificuldade de concentração nas crianças”, enfatiza.

 

Os vilões e os amigos da alimentação

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) a ingestão de açúcar não deve ser somente evitada para as crianças, mas sim em toda a vida de uma pessoa. Ela ainda determina que se deve consumir no máximo 10% da ingestão calórica total diária de açúcar, porém o ideal é consumir 5%, o que equivale 25 gramas de açúcar por dia ou cerca de seis colheres de chá. Dessa forma, se uma criança de dois anos de idade que pesa 13 kg deve consumir diariamente 1.300 calorias dessas, apenas 16 g podem ser de açúcares.

 

Sabendo disso Patricia atenta sobre os alimentos mais comuns no dia-a-dia das crianças. “Caso uma criança tome 200 ml de achocolatado, que contém 29 gramas de açúcares, somente nessa alimentação o valor total diário de açúcar permitido será ultrapassado”, afirma.

 

Ainda para a Nutróloga, a atenção dos pais deve estar nos produtos industrializados, pois a maior parte do açúcar consumido atualmente está escondido nesses alimentos. “Por exemplo: 1 copo de 200ml de suco de laranja de caixinha contém 9 gramas de açúcares, 1 lata de 350ml de refrigerante tipo cola contém 37 gramas e assim por diante, isso é muito preocupante”,  comenta.

 

E para substituir o açúcar há algumas alternativas que Patrícia aponta como positivas. “Em receitas caseiras ele pode ser substituído por mel, açúcar de coco ou açúcar mascavo, porém, também em quantidades controladas”, explica.

 

Para os pais

Gabriela Cywiski, 33, e Tiago Moraes, 36, atores, são pais de Manuela de um ano e oito meses que não consome açúcar refinado em nenhuma alimentação. “Atualmente não damos nada com açúcar para ela, porém, acreditamos que, a partir, de dois anos de idade vamos acabar “fechando o olho” para algumas coisas que contenham, como os doces de festas de criança etc”, conta Gabriela.

 

A restrição do açúcar para Manuela fez com que o casal parasse de consumi-lo também, o que, segundo Gabriela, trouxe muitos benefícios. ”Ela teve total influência na nossa escolha, porque como é que eu vou ensinar a minha filha a se alimentar de forma consciente e fazer escolhas saudáveis se eu não faço? Após cortar o açúcar minha vida mudou completamente, além de mais disposição, conseguimos emagrecer sem fazer esforço”, comenta.

 

Como alternativas para a alimentação, o casal explica que busca por produtos in natura, para algumas receitas como de bolos, utiliza o açúcar mascavo e para adoçar bebidas, como o café, usam Stevia ou Sucralose.

 

Já o pequeno Nicolas Martins, também de um ano e oito meses, não tem restrições na sua alimentação. Segundo Anny Adrielly Martins, 20, consultora de vendas, o médico fez alertas sobre o perigo do açúcar na alimentação, mas mesmo assim é difícil controlar.

 

“Quando Nicolas completou seis meses o pediatra nos disse o quanto prejudicial era o açúcar para ele. Procurei evitar a ingestão, mas chega uma hora em que ele olha outras pessoas comendo várias coisas e pede, é ai que eu acabo cedendo”, explica.

Atualmente Nicolas tem uma alimentação completa. “Ele come de tudo. Pão, arroz, feijão, carnes, sucos de todos os tipos e algumas frutas e verduras. Porém também adora bolacha, balas e algumas outras coisas que não fazem tão bem”, conta Anny.

 

O lanche ideal

E para os que têm dúvidas sobre como montar um lanche ideal e transformar a alimentação dos pequenos o mais saudável possível, a Nutróloga Patricia Savoi dá algumas dicas:

  • O lanche ideal deve conter: uma porção de carboidratos, que são fontes de energia, como lanches integrais e tapiocas, uma porção de proteína (produtos lácteos, por exemplo, mas sempre escolhendo as opções com menos açúcar e conservantes), uma porção de frutas (vitaminas, fibras e minerais) e uma bebida para hidratação - água, de preferência.

  • Também pode-se incluir outras fontes de fibras como aveia, chia, quinoa (em grãos) e granola.

  • Quanto mais alimentos in natura e menos industrializados (e cheios de açúcar e aditivos) a criança ingerir, mais benefícios ela terá. Por isso, opte por fazer receitas caseiras no final de semana e congelar para o consumo durante a semana.

  • No lugar da sobremesa ofereça frutas frescas e evite doces, principalmente os que contenham chocolate e creme.

  • Evite ao máximo: refrigerantes, balas, biscoitos açucarados, geleias, sucos industrializados e achocolatados.

  • Ofereça água como principal fonte de hidratação.

 

 

 

Danielle Assis é estudante do 7º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação do jornalista Pedro Courbassier, voluntário no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

 

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