Vida sexual precoce representa riscos para o adolescente

 

Pais devem orientar seus filhos para que a escolha da iniciação sexual seja consciente, planejada e com proteção

 

Gravidez indesejada e DSTs são os riscos mais comuns que os adolescentes podem correr em uma relação sexual. Porém, sexo sem proteção pode levar a outros problemas de saúde como ejaculação precoce, falta de ereção, perda do orgasmo e da elasticidade da região pélvica feminina.

 

Segundo a psicóloga e especialista em sexualidade humana Sandra Sepulveda, os meninos podem desenvolver algumas patologias como a ejaculação precoce e a disfunção erétil, que impossibilita manter a ereção para a penetração durante o sexo. Já as meninas correm o risco de sofrer com o vaginismo, uma contração vaginal que causa desconforto e ardência durante a relação sexual, e com a anorgasmia, que é a ausência ou o retardo do orgasmo.

 

Além dessas doenças, os adolescentes podem vir a sofrer problemas emocionais, que geralmente interferem no convívio social com a família e os amigos e prejudica a vida escolar. Todavia, esses problemas podem ocorrer quando, por exemplo, a primeira relação sexual não acontece como o esperado, resultando em disfunções sexuais e comprometendo a autoestima e a autoconfiança.

 

A psicóloga conta que o problema da relação sexual precoce é que muitas vezes o adolescente não está maduro o suficiente para assumir as consequências de seus atos. “O bom início da atividade sexual é fruto de uma preparação emocional e mental, pois, se não houver entendimento e cuidado no assunto, o sexo pode não ter um significado positivo e prazeroso, resultando na dor, humilhação e culpa”, explica.

 

DSTs e gravidez indesejada

Para o ginecologista Jefferson Delfino, o único método que previne a gravidez indesejada e as doenças sexualmente transmissíveis é o preservativo. “O esquecimento da camisinha, o mau uso e a falta de maturidade e informação podem trazer sérios problemas para o futuro do adolescente”, diz o médico.

 

Delfino alerta ainda que a adolescente grávida tem grandes chances de ter um parto prematuro, pois seu corpo ainda não está totalmente preparado para a gravidez.

 

Uma recente pesquisa apontou que os adolescentes estão iniciando atividades sexuais cada vez mais cedo, entre os 13 e 17 anos. O estudo revela ainda que 97% dos entrevistados conhecem os riscos à saúde provocados pela prática sexual e os cuidados que devem ser tomados para evitá-los. Os dados são do Projeto Sexualidade, ligado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPqHCFMUSP).

 

Patrícia Cross, 25 anos, viu sua adolescência mudar de rumo quando o teste de gravidez marcou positivo. Mãe aos 15 anos, ela disse que receber a notícia foi impactante e que o fato demorou a ser aceito por ela.

 

A gravidez afetou diretamente os estudos da jovem, que abandonou a escola por vergonha e voltou a estudar somente quando parou de amamentar.

 

Patrícia conta ainda que na época não tinha nenhum tipo de conhecimento sobre preservativo e outros métodos contraceptivos. Além disso, o assunto sexualidade nunca havia sido discutido no ambiente familiar. “Diante da situação, tive que arcar com as minhas responsabilidades, mesmo tendo o apoio da família. Com isso, amadureci e passei da adolescência para a fase adulta. Enquanto minhas amigas planejavam o baile de debutantes, eu preparava o meu chá de bebê”, lembra.

 

A psicóloga pontua que o grande interesse pela sexualidade, muito comum na adolescência, é algo natural, pois a pressão hormonal e as sensações prazerosas e eróticas ficam mais afloradas.

 

Apesar desse interesse generalizado dos adolescentes por sexo, existem meninas que preferem preservar a virgindade. P.R.D, 21 anos, acredita ser importante esperar o momento certo para que seja especial, seguro e principalmente sem arrependimentos.

Ela conta que não se sente à vontade para falar sobre sexo com a mãe, porém conhece os métodos contraceptivos e os riscos que a falta do preservativo pode causar.

 

O papel dos pais

Para a psicóloga, os pais devem educar e informar os filhos sobre os riscos que a relação sexual precoce pode causar. Além disso, devem se mostrar sempre disponíveis para responder as dúvidas que podem surgir, pois, se o hábito de lidar com o assunto de maneira natural for cultivado, os filhos se sentirão mais seguros.

 

“Caso algo dê errado, os pais devem também dar apoio e superar o problema com o adolescente, pois o abandono ou a condenação podem levar a diversas dificuldades emocionais. Orientar os filhos sobre os riscos e incentivar o uso do preservativo e a ida ao médico especialista para buscar ainda mais informações são boas opções”, finaliza Sandra.


 

 

 

Larissa Costa é estudante do 7º semestre de jornalismo da Uniso (Sorocaba-SP) e participante do projeto Muito Mais, sob orientação da jornalista Thaís da Silveira, voluntária no Instituto Noa (www.institutonoa.org.br)

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