© por Instituto Noa. Todos os direitos reservados.

Acesse, curta e compartilhe

Instituto Noa

Whats: (15)  99129-4846

contato@institutonoa.org.br

Al. Santos, 1165 - São Paulo - SP

Certificado Selo Social 2015
  • Black Facebook Icon
  • Black Twitter Icon
  • Black YouTube Icon
  • Instagram

Obesidade na infância pode ser evitada com o controle dos pais

O brasileiro consome três vezes mais açúcar do que o recomendado, e as crianças são as que mais sofrem com esse hábito


 

 

 

Pare e pense: quantas colheres de açúcar seu filho coloca no leite? Quantos saches são adicionados ao suco de fruta? E o quanto há naquele pacote de bolacha consumido no lanche da tarde? Não sabe? Pois é bom você redobrar a atenção a essas quantidades. Seja em colheradas extras de açúcar ou escondido em alimentos industrializados, a verdade é que o brasileiro tem exagerado e muito no consumo da substância. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em média são ingeridos 150 gramas de açúcar por dia – três vezes mais do que o limite diário.

 

As crianças são as maiores vítimas desse alto consumo, que tem se refletido diretamente no crescimento desenfreado da obesidade infantil. “O excesso de açúcar é transformado em gorduras no corpo, podendo levar ao ganho de peso, obesidade e gordura no fígado”, salienta a nutricionista Camila Ribeiro Gomide Queiroz.

 

Mas não é apenas o ponteiro da balança que tem assustado os especialistas. O número de crianças com doenças como hipertensão e altos índices de colesterol e triglicerídeos tem crescido exponencialmente, assim como o diabetes tipo 2. “O alto consumo de alimentos doces e industrializados, que têm açúcares escondidos na preparação, causa, em longo prazo, a resistência à insulina, que leva ao desenvolvimento do diabetes tipo 2”, completa Camila.

 

 Quantidade ideal 

Uma criança entre dois e cinco anos deve ingerir o equivalente a uma colher de sopa cheia de açúcar ao dia. Para as que têm entre seis e dez anos, a indicação é de uma colher e meia. E essa quantia vale não apenas para a substância adicionada à comida, mas também àquela presente em alimentos industrializados, como biscoitos doces, refrigerantes e sucos de caixinha.

 

De acordo com dados da OMS, a quantidade de açúcar nos alimentos processados dobrou nos últimos quinze anos. Por isso, vale a pena olhar com atenção os rótulos dos alimentos, pois, muitas vezes, ele pode vir disfarçado por codinomes diferentes, como xarope de milho, frutose, sacarose, glicose, adoçante de milho, levulose, mel e dextrose. “Se o açúcar estiver entre os três primeiros ingredientes, fique longe do produto”, orienta a nutróloga Patricia Savoi Canineu.

 

 De quem é a culpa? 

É importante que os pais tomem para a si a responsabilidade de oferecer uma alimentação equilibrada e de qualidade às crianças. “Afinal, não são elas que fazem as compras do supermercado, feira ou quitanda; portanto, se não quer dizer 'não' em casa, não compre”, destaca Patricia.

 

Esse cuidado deve ser ainda mais restritivo com crianças que não completaram dois anos de vida, pois, além de atrapalhar a absorção de nutrientes importantes para o organismo, o açúcar interfere no desenvolvimento do paladar infantil. Isso porque a criança já nasce com o paladar doce, e quando adicionamos mais açúcar aos alimentos, elevamos o nível de exigência de doçura do paladar dela. “O estímulo ao aleitamento materno e a introdução de alimentação complementar adequada a partir dos seis meses auxiliam a criança, desde a fase precoce da vida, a aprender a gostar do amargo, do azedo e do umami*”, detalha a pediatra Fernanda Luisa Ceragioli Oliveira.

 

 Nem mocinho, nem bandido 

Mesmo com os perigos do consumo em excesso de açúcar, a pediatra Fernanda destaca que nenhum tipo de alimento deve ser considerado vilão no cardápio da criança. “A alimentação infantil deve ser composta por todos os nutrientes, e o segredo está no consumo equilibrado e variado, inclusive nos alimentos que contêm açúcares. O único fator que pode ser considerado um vilão é o abuso do seu consumo”, salienta a especialista.

 

Para crianças que já estão acostumadas com o alto consumo de açúcar, a dica é substituir aos poucos os alimentos industrializados por outros mais saudáveis, com menor concentração da substância. “Aposte em sucos de frutas naturais em vez do refrigerante. Também vale um doce de frutas, compotas, geleias ou bolo de cenoura e de iogurte no lugar de tortas e bolos recheados, carregados de chantilly, creme de leite e chocolate”, sugere a nutricionista Talitta Maciel.

 

É importante também introduzir alimentos saudáveis, ricos em nutrientes essenciais para o desenvolvimento dos pequenos. “Os pais precisam ter paciência e persistência, pois crianças em fase de formação de hábitos alimentares não aceitam novos alimentos prontamente. É uma fase em que a criança se nega a experimentar aquilo que não faz parte de suas preferências alimentares ou alimentos desconhecidos”, finaliza Talitta.

 

 

 Ouro de tolo 

 

Há alimentos que, embora sejam promovidos e vendidos como saudáveis ou fontes de nutrientes, são ricos em gorduras, aditivos e, principalmente, açúcar. Conheça alguns deles:

 

* Bolachas integrais: um pacote equivale a 12 colheres (sopa) de açúcar;

* Cereais matinais: 100 gramas contêm quatro colheres de sopa de açúcar;

* Achocolatado pronto: tem 2 colheres de sopa de açúcar em 200 ml;

* Sucos de caixinha tipo néctar: 1,5 colher (sopa) de açúcar em 1 copo;

* Barras de cereal: 1 colher (sopa) por unidade.

 

 6 dicas para melhorar a alimentação das crianças 

 

1. Dê o exemplo. Seu filho comerá melhor se perceber o mesmo comportamento em você.

 

2. Leve as crianças para a cozinha. Ao incluí-las no preparo do alimento, elas tendem a se interessar em experimentá-lo.

 

3. Leve seu filho à feira. Deixe que ele escolha alguns dos legumes, verduras e frutas que comerá na semana.

 

4. Varie as formas de preparo. Se a criança, por exemplo, não come brócolis refogado, experimente servi-lo em forma de bolinho.

 

5. Nada de proibições. Restringir os doces da alimentação da criança pode fazer com que ela se interesse ainda mais por eles.

 

6. Fuja de ameaças. Forçar a ingestão de um determinado alimento pode fazer seu filho associá-lo a um confronto, tornando a experiência da alimentação em algo desagradável.

 

 

*Umami: quinto gosto básico do paladar humano, depois do doce, salgado, amargo e azedo.

 

 

 

Fonte: Revista Na Mochila

Please reload