Sociedade de Pediatria lança guia para estimular a prevenção ao consumo de álcool entre os adolescentes

 

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou no dia 6 de março um documento com uma série de recomendações para o estimulo à prevenção ao consumo de álcool entre os mais jovens. O texto, intitulado Guia Prático de Orientação: Bebidas alcoólicas e prejuízos à saúde da criança e do adolescente, tem como público alvo gestores, médicos, pais e educadores e traz alertas sobre os distúrbios causados pelo consumo precoce de bebidas alcoólicas(Clique aqui para baixar a publicação)

 

O Guia, elaborado pelo Departamento Científico de Adolescência da SBP, será disponibilizado aos médicos e à sociedade. As conclusões serão também encaminhadas aos Ministérios da Saúde, da Justiça, do Desenvolvimento Social, do Esporte e da Educação, na expectativa de estimular a manifestação do Poder Executivo por meio das ações sugeridas. Os deputados e senadores, bem como a Procuradoria Geral da República (PGR) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também serão acionados.

 

 

RECOMENDAÇÕES

 

Entre as recomendações da SBP aos gestores, constam a adoção de medidas para proibir a efetiva venda de qualquer bebida alcoólica, para crianças e adolescentes; a criação de restrições ao marketing das bebidas alcoólica, inclusive da cerveja; a implementação com urgência das políticas de regulação da propaganda, independente das indústrias e pontos comerciais das bebidas alcoólicas; e a proibição ao patrocínio e venda em atividades e eventos culturais, esportivos e artísticos que envolvam a participação de crianças e adolescentes.

 

Aos médicos, o texto sugere que abordem o tema durante a consulta, introduzindo a questão do uso de quaisquer drogas e álcool na rotina de atendimento às famílias, como uma oportunidade de estimular o diálogo e a orientação sobre a prevenção dos riscos. Também se pede que expliquem aos pacientes e familiares as possíveis consequências do uso e da mistura do teor/quantidade/qualidade das bebidas alcoólicas, além de esclarecer à sociedade sobre os mitos e mensagens distorcidas de marketing, que envolvem o uso das drogas e do álcool em diferentes contextos sociais e sua relação com violência, mortes precoces e doenças.

 

Já para os pais e educadores é sugerido evitar o consumo de bebidas alcoólicas durante todo o período da gestação e amamentação; alertar sobre as consequências do uso precoce do álcool e de outras drogas legais e ilegais no corpo humano, especialmente durante as fases de crescimento e desenvolvimento cerebral das crianças e adolescentes; evitar a glamorização das “bebedeiras” nas festas de família e a noção de que “beber cedo é motivo de orgulho” para os pais, que é a distorção do modelo referencial sobre as culturas das famílias.

 

Esse grupo é ainda chamado a proibir a oferta e o consumo de bebidas alcoólicas em festas de aniversário e outras celebrações que tenham a participação de crianças e adolescentes. A publicação destaca ainda a importância de reforçar o papel dos pais e as regras de convívio familiar.

 

 

FATORES DE RISCO

 

Evidências científicas apontam que as características ou situações que podem elevar a probabilidade ou agravamento à saúde, conhecidos por fatores de risco, no caso de problemas com o álcool, destacam-se: genética, transtornos psiquiátricos, falta de monitoramento dos pais e disponibilidade do álcool. Vale ressaltar que os fatores de risco não são necessariamente iguais para todos, podendo variar conforme a personalidade, a fase do desenvolvimento e o ambiente em que os jovens estão inseridos.

 

Os efeitos danosos do álcool repercutem na neuroquímica de áreas cerebrais ainda em desenvolvimento, associadas a habilidades cognitivo-comportamentais, resultando em desajuste social e atraso na aquisição de habilidades próprias da adolescência, alerta a Sociedade Brasileira de Pediatria.

 

O Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo (NIAAA) dos Estados Unidos descreve algumas das graves consequências em crianças e adolescentes. Por exemplo, bebida alcoólica está mais associada à morte do que todas as substâncias psicoativas ilícitas, em conjunto. Os acidentes automobilísticos associados ao álcool são a principal causa de morte em jovens de 16 a 20 anos, mais que o dobro da prevalência entre os maiores de 21 anos.

 

Além disso, estar alcoolizado aumenta a chance de atividades sexuais sem proteção, de violência sexual, maior exposição às infecções sexualmente transmissíveis e a risco de gravidez. Existe também associação entre uso de álcool, maconha e comportamentos sexuais de risco: início precoce, sem preservativos e exploração sexual comercializada.

 

Outro problema decorrente é que a dependência de álcool leva a déficit de memória e queda no rendimento escolar, o que pode diminuir a autoestima do jovem e levar ao envolvimento em cadeia com outras substâncias psicoativas, ao invés de motivá-lo a diminuir ou interromper o uso. O uso precoce de bebidas alcoólicas também pode ter consequências duradouras: aqueles que começam antes dos 15 anos têm predisposição quatro vezes maior de desenvolver dependência em comparação aos que fizeram o primeiro uso com 20 anos ou mais.

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